Quarta-feira, Março 18, 2009

Nova casa

Pois é, pessoal. O Blogger já deu o que tinha de dar.

Passei para o wordpress e mudei o nome do blog.

Agora é Adega do Machado.

Adeus blogger, olá Wordpress.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Apple - Uma empresa verde... De grana!

Por mais que eu seja uma pessoa de valores antigos, eu gosto de ver o que há de novo em pesquisas em tecnologia e gadgets. Porém, eu também me preocupo com o excesso de produtos lançados para tentar abater a síndrome da obsolencência, assim como a defesa exacerbada por uma determinada marca e manobras tecnocapitalistas para manter um cliente fiel (conhecido informalmente como detento).

Até eu dar de cara com isso:Contemplem o novo Ipod Shuffle! Armazenamento de 4GB, modelo minimalista, controle de troca de música no fone com o revolucionário VoiceOver, que permite o aparelho "falar" qual o nome da música e quem a canta, assim como o nome de sua playlist. Impressionante... NOT!

Antes que algum appletard comece a jogar seus gadgets de maçã mordidos e podres em cima de mim, não sou antiapple. Sou apenas uma pessoa que defende o que é bom e o que pode fazer diferença na vida, independente de sua marca.

Agora vamos dissecar o alien:

- O armazenamento mudou para 4 GB. Ponto positivo, embora eu ache um exagero para um mp3 player...

Appletard: Não é MP3 Player, é Ipod Shuffle!

Click... BANG!

Machado: Perdão, voltemos à programação normal.

Bem, um exagero para um mp3 player. Quem vai ouvir todos os 4GB de música? Só musicófilo! Ainda que o armazenamento tenha aumentado, eu considero canibalização de produtos algo perigoso, desnecessário e antiecológico para empresas de bens duráveis. Por que só os novos proprietários de um Ipod Shuffle podem ter 4 Gb? E os que tem os primeiros, segundos e terceiros? A Apple poderia muito bem oferecer serviços de ampliação de espaço para antigos Ipods. Isso valorizaria os antigos players e estes não seriam descartados, o que evitaria produção de lixo e a Mãe Terra agradeceria.

- O design se tornou minimalista: Neste quesito, eu admiro a Apple. Jonathan Ive presta uma grande homenagem (ou um plágio descarado) a Dieter Rams da Braun. Quanto mais simples, belo e funcional um modelo é, melhor. Agora, simples demais incomoda... Muito. Qual o problema em colocar uma tela OLED no bicho só para aparecer o nome do grupo/cantor e a música? A Philips lançou um MP3 player de 4 GB do tamanho do antigo Ipod "Pin" Shuffle com tela OLED e não precisa da droga do Itunes. Por que diabos a Apple não pode? Ah, mas a Grande Maçã (e não é de Nova Iorque que estou a dizer) "superou" o ploblema através do item a seguir:

- VoiceOver: Agora o Shuffle fala com você! (que merda!) Basta você apertar um botão e o bicho fala o nome da música, de quem canta e até o nome de sua playlist! Soluções simples... para quem consegue lembrar de todas as músicas e da voz que ouvira antes da reprodução da música. Volto a perguntar: que diabos a Apple tem contra uma tela no Shuffle?! Não seria mais simples colocar uma tela que mostre o nome do cantor e a música a qualquer hora que você queira? Há pessoas que possuem uma dificuldade absurda em decorar todos os nomes das músicas, até mesmo os nomes dos cantores quando são novidade para os ouvintes.

- Todos os controles ficam no cabo dos fones de ouvido: PAREM TUDO! Aí está a maior pegadinha e maior "erro" de projeto da Apple. Qual era o problema com o Click Wheel? Ele era funcional, era minimalista, era alinhado com a marca. Qual o problema? Não há problema algum. É o novo "pega trouxa" da empresa. Pense bem, você está com seu novo Ipod Shuffle, feliz da vida. Depois de um tempo de uso, ocorre o esperado: seu fone para de funcionar. Você, como bom brasileiro ferrado e sem grana como eu, compraria um fone da Philips... MAS OS CONTROLES DESTA PORCARIA ESTÃO NO FONE!! Logo, você é OBRIGADO pela APPLE a comprar um fone dela COM OS CONTROLES e ainda por cima NADA, NADA INTUITIVOS! Se o fone normal da Apple é uma pequena fortuna aqui, imagine agora com os controles. Para piorar, o cabo USB é VENDIDO SEPARADAMENTE!

É como se você entrasse numa operadora de celular, comprar um através de um dos planos oferecidos e, além de possuir um celular bloqueado, você paga multa caso queira sair. É a mesma sensação que tenho.

É por essa atitute canibalista que a Apple é considerada uma das empresas mais poluidoras do planeta. Eles podem até prezar por um design limpo e lindo, mas não prezam a usabilidade estendida de seus produtos. Qual o problema de criar uma estrutura que possa favorecer upgrades com o tempo, como fazem com os Imac/Macbooks com a memória expansível? Isso valorizaria muito os antigos produtos e seu preço de revenda. Ainda não sei se há empresas que optam por essa linha de manutenção, mas é uma ideia (sim, adaptando-me aos poucos à nova regra) para preservar os consumidores e, antes de tudo, ao meio ambiente.


Thiago Machado (Mas o Ipod Touch é muito bom... Caro, mas muito bom!)

Sexta-feira, Março 06, 2009

Quis Custodiet Ipsos Custodes?

Antes de mergulhar no frisson sobre o dia que a cultura pop mais uma vez volta-se ungida com um misto de medo, admiração e esperança, voltemos no tempo. Não há quase 20 anos, quando a indústria de quadrinhos estava em uma revolução sem precedentes, mas há 20 séculos numa Roma que não sonhava em ser regida pelo Jesus Apolínico criado por Constantino na maior piada já contada na história.

Um camarada chamado Decimus Iunius Iuvenalis, mas carinhosamente conhecido por Juvenal, foi um grande poeta romano e autor do livro As Sátiras, que é um registro enciclopédico dos fatos que tornava Roma, roma. Juvenal foi autor de célebres frases que influenciaram - e influenciam - muitos filósofos. Dentre essas máximas, cito apenas duas:

"As pessoas comuns - em vez de cuidar da sua liberdade - estão apenas interessado em pão e circo"

E a minha favorita: "Q
uem vigia os vigilantes?"

A Frase foi tomada como um empréstimo do livro A República, de Platão, cujo personagem principal pergunta a Sócrates quem iria protegê-los dos protetores. A resposta é que os protetores irão se proteger deles mesmos. Uma espécie de mentira caridosa ao sugerir que eles são melhores do que os seus protegidos. Logo, é de responsabilidade deles protegerem os que são menos do que eles.


Essa idéia, atualmente, é discutida para
ponderar a complicada questão sobre a separação de poderes. A idéia é nunca dar poder absoluto para nenhum grupo, mas sim deixar os interesses de cada um competir e conflitar com o outro. Cada grupo irá então procurar devido a seus interesses, impedir o funcionamento do resto e isto irá manter o poder absoluto em objeto de litígio constante. Por conseguinte, este mesmo poder, teoricamente, jamais seria utilizado.

Após 20 séculos, um roteirista britânico iniciado em magismo conhecido como Alan Moore, foi incumbido pela DC Comics de criar uma história com personagens recém-conquistados da Charlton Comics. Aleister, digo, Alan foi além do esperado e criou uma história rica, complexa e sombria sobre super-heróis. Manteve-se o lado fetichista fascistóide de todo herói, mas inseriu-se também medos, traumas e trouxe à tona o lado frágil psicológico dos mesmos. Tudo isso com um pano de fundo político: Guerra Fria. Após aprovado o enredo, foi chamado o desenhista Dave Gibbons para criar a identidade visual da história.

Durante a Guerra Fria, Richard Nixon conduzira os EUA à Vitória na Guerra no Vietnã, o que dotou o presidente de força representativa e se manteve no poder por um bom tempo. Em 1977, decretou-se a Lei Keene que obrigava todos os heróis fantasiados a se registrarem. Alguns se registraram, outros se aposentaram, outros revelaram suas identidades e ganharam dinheiro e outros se tornaram fora-da-lei, sendo perseguidos pela polícia constantemente.

Neste contexto, o super-herói conhecido como Comediante (uma espécie de Capitão América degenerado, mas o mais consciente e mais genial dos heróis), fora assassinado e inicia-se a busca por um possível assassino de vigilantes. Neste ínterim, outras tramas se desenrolam de maneira magistralmente complexa, tornando esta história numa das mais premiadas na história. Tamanha magnitude levou Watchmen a ser considerada um dos 100 melhores romances escritos desde 1923 pela revista Time. Não entrarei em detalhes sobre a trama, pois escreveria um livro só neste post.

Alan Moore, ao lado de Art Spiegelman, Frank Miller e Neil Gaiman, criou uma revolução sem precedentes no mundo dos Comics. Obras como Maus, Batman: Cavaleiro das Trevas, Demolidor: A Queda de Murdock, Elektra Assassina e a série Sandman mostraram ao mundo que quadrinhos não necessariamente têm de retratar histórias superficiais, heróis cheios de poderes, músculos e exemplos de virtudes impávidas. Quadrinhos tornara-se coisa pra adulto também.

WATCHMEN: THE MOVIE

Desde a década de 1980 que os direitos de Watchmen foram vendidos para a criação do filme. Contudo, não havia a tecnologia suficiente para rodá-lo e, o mais preocupante, um roteiro que fizesse juz à sua magnitude. desta vez, 20 anos depois (curioso o 20 aparecer de novo), um diretor vindo da publicidade com poucos filmes dirigidos, porém todos geniais, foi escalado para o grande desafio: Zack Snyder. Ele pode ser o grande herói ou o maior dos vilões da história cinematográfica durante a era mais vazia e árida de criatividade. Filmar uma história infilmável é tarefa para raros e Snyder conseguiu fazer um excelente filme pipocão como a refilmagen de Madrugada dos Mortos e uma adaptação de HQ 300 (Frank Miller). Neste último, ele fez o que raros fizeram: melhorou a história original, inserindo uma trama complementar da Rainha Gorgo.

Fã assumido de Watchmen, Snyder - segundo críticas e colunas de blogueiros e de seu maldito círculo de blogs masturbatórios (outro dia escrevo sobre isso) possui o Paradoxo Potencial: pode ser o maior sucesso, devido à obsessão pela fidelidade à obra, ou o maior fracasso devido à complexidade de sua história e ao total desconhecimento do público sobre a Graphic Novel. Tamanha complexidade (e um pouco de visão comercial) fez com que a Warner criasse extras para o futuro DVD de Watchmen Contos do Cargueiro Negro (história em quadrinhos dentro da história que será animado e Gerard Butler será o narrador) e o documentário Sob o Capuz (livro escrito pelo primeiro Coruja Hollis Mason). Uma coisa pode ser dita: Zack Snyder não só ousado em filmar o infilmável, como em filmar o teor politicamente incorreto da história numa era tão nauseantemente correta e nauseabunda. Mesmo sendo um diretor extremamente comercial, ele tem o talento de usar todos os recursos da linguagem cinematográfica com estilo e cuidado, criando verdadeiros épicos (o que é muito raro).

Como a história original é tão complexa que tem de ser lida várias vezes para pegar todos os detalhes, acredito que com o filme seja a mesma coisa... Eu não vejo problema em vê-lo inúmeras vezes no cinema ou em casa com o DVD. Obras precisam ser apreciadas e entendidas. Mesmo que Moore não aprove a transposição de suas histórias para o cinema, este merece... Graças a Snyder.




Thiago Machado Não vigia, nem é vigiado.

Domingo, Dezembro 28, 2008

Reflexo


Reflexo
Originally uploaded by |Machbrew: Arte em doses|

simplesmente uma poesia.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Re-postulação da Teoria do Dr. Ognela





Certa vez, Dr. Mali, sentado em sua cadeira a olhar os olhos frios de seu pequeno crânio, lembrou-se de uma conversa rica com seu comparsa, Dr. Ognela. Ele reviveu toda aquela triste, cortante, mas fascinante teoria onde os humanos ora seriam amigos-raiz, ora amigos-folha. Dr. Mali, mexendo o gelo de seu uísque com o dedo, começou a pensar que esta teoria estava incompleta, mesmo sabendo que Dr. Ognela fizera com intenção. Após o último gole, ele pegou papel, lápis e começou a derramar suas idéias no plano alvo e virginal:



O Ser Humano Como Tronco

As pessoas, por mais efêmeras e suicidas que possam ser, são complementares numa espécie deturpada de ciclo. Em sua vida, citando Dr. Ognela, elas podem ser amigos-raiz (aqueles em que se buscam orientações e segurança) ou amigos-folha (aqueles efêmeros que se sumirem, não se pode fazer muita coisa). Contudo, a estrutura desse meio ambiente é um pouco mais complexa.

O ser humano é um tronco que pode até se manter em pé por conta própria, embora precise de outros fatores para manter sua sobrevivência:

- Amigo-Raiz: Além da orientação e segurança, o Amigo-Raiz é a sustentação do indivíduo, o que fornece os nutrientes (idéias, ajuda econômico-mental) para que a raiz permaneça impávida perante as outras raízes em sua volta;

- Amigo-Folha: Embora seja um amigo efêmero, o Amigo-Folha possui uma utilidade mutualista. Eles podem até oferecer certa ajuda (afinal, onde ocorre boa parte do processo de fotossíntese?), mas só quando há o sol. Em outras palavras, quando o Indivíduo-Tronco não está no ápice solar, assim como nas estações prolíferas (Primavera-Verão), as folhas caem e, caso haja sorte ou algum fato metafísico, viram adubo. O ser tronco que conta apenas com esse tipo de amigo, possui uma deficiência séria.

- Amigo-Erva Daninha - Este é o mais nocivo. Vendo que a seiva é abundante em seu lenho, penetra suas presas e suga. Por um bom tempo, camufla-se como diversão para os que estão próximos. Quanto menos se espera, o tronco se torna torto, frágil e, se bem sucedido, decreta o fim do tronco. Geralmente podem-se apresentar como pretensos Amigos-Raiz.

- Amigo-inseto - São aqueles que não passam de conhecidos, aparecem de vez em nunca. Mas são agentes-catalisadores precisos para a criação de uma nova geração que será explicada a seguir. São como aqueles heróis de capa e espada cuja origem e/ou paradeiro são desconhecidos, mas podem fazer a diferença na sobrevivência do humano-tronco. Esta diferença é o Amigo-Fruto.

- Amigo-Fruto - Talvez tão importante quanto o Amigo-Raiz. Ele é um grande passo para sua herança genética (no caso humano, a ethos, as idéias, quiçá ajuda para o humano-tronco). Se ele vingar, além de manter a genética (herança filosófica) viva, fornece proteção à origem, como uma quadra de eucaliptos.

Todos eles possuem utilidades para a sobrevivência do Humano-Tronco. Cabe ao mesmo ter a sagacidade e seletividade para se tornar o tronco-fortaleza e manter seu aprendizado, seu intelecto, vivos de forma indireta na superfície terrestre. Caso contrário, será húmus, como os Amigos-Folha no inverno. Para tanto, o tronco precisa se abster de sentimentos quentes e aconchegantes. É a sobrevivência... Por mais que os seres humanos adornam suas faces com a máscara da civilidade, a lei do forte é ainda é vigente. Dura, mas ainda assim é a lei.

***
Após escrever, Dr. Mali preenche o vazio etílico de seu copo de uísque e acomoda-se em sua poltrona de canto de cômodo. Olhos inchados, úmidos em excesso, sua mão treme ao levar o copo até a boca. O scotch salgado como o Atlântico desce como um bolo de lâminas pela glote do Doutor. Antes de submergir em seu coma alcóolico, o único pensamento que, por incrível que pareça, é uma brisa esperançosa em sua mente cancerígena expande-se como uma lufada de fumaça de nicotina:

O Tempo Destrói Tudo

Quarta-feira, Julho 30, 2008

O Autor Nu - Veríssimo

Veríssimo

Vida irônica esta a conceber uma das inúmeras verdades num bar chamado Veríssimo. Já é lugar-comum escrever falando sobre bares, bebidas e sonhos. Talvez porque grandes acontecimentos, tanto os bons quanto os ruins, são comemorados com um bom chopp ou uma caipirinha bem feita.

Hoje comemoro uma de minhas conquistas que, a princípio, afastam-me do uso das pernas de meu pai. Contudo, vejo minha insignificância ao celebrar numa mesa com cinco lugares e apenas o meu é ocupado. Caso estivesse egoísta, festejaria com prazer: é uma conquista solitária... Mas não é. Várias pessoas me ensinaram os caminhos e me apresentaram as chaves certas para abrirem as portas e entrar de maneira galante aos meus deveres e objetivos. Outras vezes, um pé-na-porta para botar a lazarenta abaixo e conquistar da mesma forma. Vida irônica deveras a ser, no mesmo dia desta vitória solitária, a independência do país do falso moralismo e de raros verdadeiros heróis; meu reverso da medalha, o palco de várias peças teatrais perpetrados por grandes grupos financeiros.

Finanças... Tenho de me preocupar com as minhas. Será por isso que não há mais movimentos sérios, manifestos culturais de mexer com neurônios rotos, velhos, marasmáticos? Seriam esses os últimos murmúrios de uma era moribunda cheia de celulite e estrias? Parte de mim torce . A Outra... deseja que continue a mesma bagunça que é. Motivos de querer ser único, uma mania paológica de minha Mazela, minha mente de intelecto torpe. O que fazer, o que pensar em meio a uma cachoeira de pensamentos disconexos sobre vários assuntos, várias pautas de um Agendamento diário de notícias que serão esquecidas como uma iguaria no estômago, um brinquedo a ser trocado por um novo; um uísque de 18 anos tomando furtivamente na labuta em nome de uma comemoração fugaz?

Comemoração... Há quatro meses... Lembro-me do dia em que iniciei minha nova vida em terra distante... Meu digníssimo Amigo-Algoz pôs Raulzito a cantar Ouro de Tolo. Hoje entendo o porquê daquela música. Continuo a seguir meu caminho, ser melhor do que ontem e ser pior do que o amanhã. Desejo seguir esse caminho, até gosto. Quando conquistar meus objetivos, eu crio outros apenas para saciar minha cabeça a crer em propósitos, a ser o melhor espécime da espécie humana.

- Não era para eu estar feliz hoje? -

Domingo, Abril 06, 2008

Crônicas do Mundo Consumista - Da Autodestruição

Da Autodestruição
Uma amarga ironia existe sobre o ser humano enquanto criador e pensante: quanto mais informação ele possui e compra (ou maior disponibilidade da mesma), menos a pessoa pensa ou, na pior das hipóteses, pervertidos buscam notoriedade e, por conseguinte, poder sobre os Ovinos; pessoas que vivem graças a modismos e aos paradigmas comerciais da megalópole industrial da cultura.

Não é difícil presenciar os Ovinos, até mesmo os dominadores, que os são a partir de traumas infantis (ou até mesmo de deturpação do Desejo de Potência), num processo de autodestruição gradual. Tempos percebi, na solitude de um café à Paulistana, que a punição a qual me referira em boates não está somente nelas, mas na área-core da truncada mente humana. Contudo, essa se transforma na semente da autodestruição, mesmo na busca do prazer culposo. Ora, estamos tão carentes de novas filosofias, pessoas interessantes e companhias voluptuosas que passamos por cima de instintos de preservação só para conseguir este êxtase que, por sua própria definição, seria pleonasmo adjetivá-lo efêmero.

Do cigarro com seus solventes; do álcool em excesso que transforma capacidades hepáticas em Fois-Gras; da gastronomia extravagante que entope artérias; do produto com aura encantadora que nos deixa mais pobres ao sexo leviano que nos preenche com patologias naturais e manufaturadas. Tudo parece seguir a necessidade capitalista: Tudo (e todos) possui um preço.

Não apenas no sentido do humano como próprio arquinimigo, como também predador voraz de sua própria espécie: conflitos criados por desejos fascistóides em pleno auto-proclamado "Mundo Livre". Estranho como este conceito é deturpado desde a criação do termo. Nunca fomos livres; há a impressão de liberdade e de escolha. Somos presos a desejos, sonhos, instituições, sistemas econômicos, tecnologia, convenções, idéias, limites corpóreos-morais e medo. Todos os citados são "limitadores úteis" para que tenhamos um modus operandi, um foco para que sejamos peças úteis no grande jogo de xadrez capitalista. Peças da grande engrenagem do Sistema que, de tão castrante, não cria (ou produz, já que estamos no Mecanicismo) filósofos que escrevem sobre novos devires, mas escrevem traduções da vida em língua acadêmica.

Daí a origem do desencanto, o tapa na cara, a busca pela liberdade através da autodestruição, da pulsão da morte. Somos todos suicidas. Nosso estilo de vida prevê, em termos, como iremos morrer ou desejamos morrer, já como temos ciência que iremos um dia, assim como os filósofos que influenciaram este escritor pedante que vos escreve.

Thiago Machado

PS: Descubra quais filósofos me influenciaram.